Redes sociais no mundo corporativo
setembro 18th, 2008 por Samantha ShiraishiNesta semana estive num encontro com uma agência de assessoria de imprensa que quer conhecer o mercado das mídias sociais. Não foi minha primeira consultoria sobre o assunto e me fez pensar no quanto as redes sociais estão em voga e nos mitos que estão sendo criados sobre este mercado, que não é tão extraordinário assim. Não sou a única, no mesmo dia, Eduardo Vasques me mandou uma direct message no twitter para contar que postara sobre o assunto em Mesmo erro:
“Tenho participado de algumas discussões sobre Relações Públicas 2.0. Mais um termo bonitinho que nada mais é do que cuidar da imagem de uma empresa ou pessoa nas mídias e redes sociais. (…)
Naturalmente as empresas do setor (as agências de comunicação, RP e assessorias de imprensa) trilharam o mesmo caminho das agências de publicidade. De um ano para cá, quase todas criaram um “núcleo web”, “núcleo digital””
Na minha visão, é um nicho e um indício de uma nova época na qual os consumidores deixarão em definitivo de ser receptores passivos dos produtos. Daí a pensar que toda empresa precisa de um blog corporativo e que toda ação de marketing deverá contemplar veiculação planejada em mídia social, tem uma distância que não acredito que percorreremos tão rápido. Podemos até chegar lá, mas não será amanhã, como afirmam alguns.
Alguns receiam que a entrada das corporações neste espaço que antes era pessoal possa ser um tiro n’água. Tiane Loureiro escreveu ontem em Relações Públicas minimiza riscos o seguinte:
“é óbvio que qualquer conteúdo aparentemente produzido por um usuário comum é tido como mais legítimo e verdadeiro. Quanto mais despretencioso e informal, melhor. Mas o prejuízo pode ser enorme quando se descobre que por trás disso tudo existe um interesse corporativo.”
E hoje Tiane escreveu comentando o post do Eduardo em O papel das relações públicas no mundo digital:
“De fato, o “hype” é maior do que as reais oportunidades, principalmente para o mercado de RP. Discordo do Edu quando ele diz que as empresas não estão arriscando. Algumas estão, sim, mas não é aos “assessores de imprensa” que recorrem quando pensam em Web. Errar é fato, uma vez que a Internet é um organismo vivo e estamos num constante “teste beta” de tudo o que fazemos.”
Concordo plenamente com ela. Se estamos começando a caminhar na Internet e devemos dar um passo de cada vez, não é preciso deixar de dar estes passos, mas sim fazê-los com segurança.
Ricardo Cabianca motivado por uma conversa nossa no msn postou - em O que sexo e redes sociais tem a ver com seu futuro profissional? - sobre este crescimento e citava o livro “Click: What Millions of People are Doing Online and Why It Matters” (”O Que Milhões de Pessoas Estão Fazendo Online e Por Que Isso Importa”).
“dá para afirmar que o que buscamos na web reflete tanto uma tendência, quanto o comportamento da sociedade e das pessoas.
E os números apontam um crescimento de buscas por redes sociais, ou seja, as pessoas estão buscando maior interconexão entre elas, baseado no relacionamento - seja pessoal ou profissional.
(…) é certo que o mercado (e segmento) das mídias sociais tendem a crescer, gerando uma excelente demanda de profissionais capazes de gerar negócios e resultados.”
O papel do profissional de Comunicação que se aventura nas novas mídias ainda não tem regras, por isso muitas vezes pareceremos estar em “terra de ninguém” ou “terra de cego onde quem tem um olho é rei”! Mas há um movimento para organizar estas ações, como comentou Wagner Fontoura em seu post Uma introdução ao marketing boca-a-boca, que motivou uma palestra (Na PUC-SP, discutindo publicidade em mídias sociais) e está resumido no slide show abaixo.
““pulverizar” conteúdo sobre um determinado evento em ambientes de colaboração online, tais como Blogs, Twitter, Yahoo! Respostas, Orkut, Instant Messengers, entre outros.”
Gostei muito da comparação que ele faz com os evangelistas pioneiros do cristianismo, porque temos que ter em mente que nossas ações serão, inevitavelmente, parte da história, a da concretização desta passagem do comando para o consumidor. E, acima de tudo, porque temos que ser éticos nas nossas ações.
“Toda palavra a ser divulgada deve conter fatos e situações verdadeiras. Esta é a condição que diferencia um trabalho sério e profissional: o cuidado com a imagem do cliente.
Na internet, divulgar conteúdo sobre marcas, pessoas ou produtos deve ser baseado em relações de segurança - e em fontes fidedignas. Caso contrário, corre-se o risco do descrédito e de que estas ações sejam consideradas uma farsa. A pulverização disso na internet seria castatrófica. Ou uma heresia com a marca do cliente.”




















setembro 18th, 2008 as 3:46 pm
[...] agora um texto com algumas reflexões sobre o uso das mídias sociais no mundo corporativo. O título lembra o post Orkut é para trabalhar? que fiz no Boombust há pouco mais de um mês, [...]
setembro 18th, 2008 as 4:38 pm
Redes sociais no mundo corporativo | Coworkers…
O papel do profissional de Comunicação que se aventura nas novas mídias ainda não tem regras, por isso muitas vezes pareceremos estar em %Cterra de ninguém%D ou %Cterra de cego onde quem tem um olho é rei%D! Mas há um movimento para organizar es…
setembro 18th, 2008 as 5:18 pm
Sam, não há dúvida de que vivemos um momento de transição muito grande, ao menos aqui no Brasil. Geralmente copiamos o que vem de fora com um “gap” de alguns anos mas, em função da internet este gap praticamente inexiste no que diz respeito ao boom da publicidade em blogs, redes sociais e tudo o mais. O que vejo é que os “especialistas” aos quais te referes estão formando-se de forma rápida e demonstrando competência nos nichos e instâncias em que atuam, trazendo confiança para quem deseja investir nessa área. Torço muito pela Coworkers e pela turma que dela está participando pois acompanhei (de longe) desde o princípio. Um abraço fraterno,
Rafael Reinehr
setembro 18th, 2008 as 5:37 pm
@rafael vc tem razão, sempre estamos recebendo as novidades com um gap muito grande, maior do que deveria ser se considerarmos os avanços que a internet trouxe. Mesmo early adopters como nós dois não estão just in time. Este foi um dos temas de um outro post que fiz hoje no meu blog pessoal, comentando um post do Juliano Spyer.
Obrigado pelos votos, igualmente nos seus projetos, que temos acompanhado desde que nos conhecemos no Nossa Via.
setembro 18th, 2008 as 9:14 pm
É muito fácil para mim enxergar todo este panorama, não por ter pessoas ao meu redor ligadando diretamente com isto, mas sim por esta nova realidade estar atingindo a realidade de todo mundo. A todo momento observo estratégias de mkt que dão certo ou errado tendo como protagonista o seu pública final, o consumidor, que hoje deixou de ser espectador e se tornou um agente ativo. O consumidor tem voz ativa e participa diretamente deste novo mundo, daí a importancia se fazer tudo com o máximo de seriedade para não se perder a credibilidade.
Parabéns e sucesso
Beijos
setembro 18th, 2008 as 11:15 pm
Sam, a moda contagiou muitas empresas. Isso é muito bom, mas às vezes a empresa adere somente por causa do hype, e nem sempre procura profissionais realmente qualificados, o que pode resultar em insucesso.
O problema é que estes insucessos causados por uma má assessoria pode atrapalhar o trabalho de quem realmente entende do assunto e trabalha com seriedade, como vocês.
Boa sorte na Coworkers e sucesso!!
Beijos!
setembro 19th, 2008 as 12:05 am
Sam, isso não é um post! É um verdadeiro guia do que anda acontecendo no mundo corporativo, nas RP e nas redes sociais. Parabéns pelas articulações. Acredito neste nicho como um mercado para profissionais de comunicação, sobretudo RPs e jornalistas antenados às novas tecnologias. Não há apenas hype, não…há oportunidade de fato! Do contrário, nem vc, nem eu estaríamos às voltas com tantas consultorias, palestras e afins. Um grande bjo. Carol Terra (http://rpalavreando.blogspot.com)
setembro 19th, 2008 as 9:51 am
@vinicius exatamente, esta mudança de postura do consumidor pode auto-regular o mercado. Talvez os jovens como você, nativos digitais, vejam esta realidade com mais clareza do que nós.
setembro 19th, 2008 as 9:59 am
@cynara hype ou não, o fato é que agora as pessoas conciliadoras e ponderadas, com embasamento profissional se estabelecerão - e já vemos casos assim na blogosfera, né? Mas eu ponderava há pouco por e-mail com um colega que também me preocupa imensamente esta proliferação de especialistas que surgem não apenas sem nenhum case, mas sem experiência profissional efetiva na área de comunicação social, que, enfim, é a que se casa com a tecnologia de informação e sustenta a nova mídia. Estes novos pseudo-especialistas minam o mercado, mas, enfim, é a realidade neste país de oportunidades - e oportunistas - onde o homem ainda é cordial a ponto de aceitar sem ressalvas o paternalismo dos que afirmam saber mais.
Mas o campo é novo e os que desbravam caminhos são pessoas que precisam “abrir as picadas”, sem mapas ou garantias, confiando unicamente no instinto. Breve saberemos como o mercado absorverá tudo isso.
P.S. Transmitirei sua boa sorte aos verdadeiros coworkers Wagner e Helton. O blog não é meu - mas tenho convite para postar aqui eventualmente.
setembro 19th, 2008 as 10:02 am
@carol vindo de você, uma das especialistas e estudiosas (a sério) das mídias sociais, pode imaginar como seu comentário me honrou e me animou. Verdade que não é hype, é uma oportunidade de fato, mas, como disse à @cynara oportunistas aparecerão e cabe a nós, profissionais das áreas envolvidas, estar prontos para atender ao mercado. Se gostou, por favor, replique (ou republique, como preferir) no RPalavreando, tudo que quero com estas divagações é ouvir as vozes dos colegas comunicadores.
setembro 20th, 2008 as 10:50 am
sempre me pego em debates com o @gustalves sobre as redes sociais e o mundo corporativo, e minha opinião é que o planejamento deve começar dentro de casa. Muitas corporações não exercitam o marketing interno, e ao se aventurarem em web 2.0 (por modismo), vão acabar vitimas dos próprios colaboradores… não preciso detalhar o por que.
setembro 20th, 2008 as 4:58 pm
Sam, seu post só vem a somar com os da Thiane. Realmente é uma boa surpresa ver que duas jornalistas, cientes de sua capacidade e categoria profissional, consigam “pensar fora da caixa ” (um dos infames jargões de agora.. rs) e saibam definir direitinho a atuação de nós, RPs. Mas como disse no tópico da Thiane (e por onde vim parar aqui), nem todos os profissionais da minha seara, sabem o que é RP 2.0, ou têm base para trabalhar com o assunto.
Nada em comunicação ou marketing pode ser planejado por modismo.
Abraços e adorei seu post.
setembro 24th, 2008 as 2:18 am
Oi Sam,
Parabéns pelo post! Não há dúvida de que estamos num processo de transição e que há um grande risco da seleção natural eliminar muitos bons profissionais nesta seara em função das velhas escolhas. Meu pitaco nessa seara é simples: enquanto cada um fazer seu trabalho solitário, essa história vai demorar muitooooooooooooo para acontecer diante do potencial das estratégias corporativas. Uma pena, mas infelizmente faz parte!
setembro 24th, 2008 as 8:31 am
Sobre o que o Rafael falou, que copiamos os americanos com um gap, isso tem as suas vantagens: podemos (e devemos) aproveitar os erros de lá para aprendermos e não repetirmos aqui. Por isso também existe tanta mídia ótima sobre o assunto em inglês (blogs do Chris Brogan, do Todd Defren, a Media Bullseye, entre outros nomes do meu GReader
Acho que as agências sérias do Brasil estão no caminho certo dando o “primeiro passo” com segurança. Prova disso é os debates, artigos e estudos que têm saído nos blogs por aí escritos pelos executivos das agências.
Que vão haver erros, mortos e feridos, sem dúvida, isso acontece ainda até na publicidade dinossaura! Mas mesmo que o famigerado “sobrinho do photoshop” ainda exista, o mercado deve se auto-regular.
Acho que eu só repeti o que está no artigo… Talvez porque não tenho nada a acrescentar, ótimo post, Sam!
Abraços
setembro 24th, 2008 as 1:18 pm
Olá! Obrigada pelos links e o seu post é mesmo muito bom. A gente tem começar a falar mais do papel dos profissionais de comunicação e disseminar a ética e a transparência como algo crucial. Vamos trocar mais figurinhas. Abs
setembro 24th, 2008 as 4:29 pm
Sam, tive o primeiro contato com essas ações 2.0 com um seminário de vendas & marketing promovido pela Marriott - quando eu ainda trabalhava lá. Por ser uma empresa multinacional, creio que a grandeza dessas ações sejam percebidas com mais clareza e com mais imediatismo. O que vi da assessoria de imprensa com que trabalhei na época foi uma distância enorme dessas novas ferramentas - até a falta de conhecimento, o que é pior. O que via era só clipping por e-mail e releases sendo divulgados no “trade” (como costumamos chamar na hotelaria) através dos sites.
Quero muito ainda voltar a trabalhar ativamente com a Web 2.0.
setembro 24th, 2008 as 7:50 pm
Sam,
O GAP existe. O assunto é embrionário no Brasil até mesmo para agências de comunicação, que, em muitos casos, não conseguem trabalhar nem mesmo o blog nas suas próprias páginas.
No meu ponto de vista, a cultura do retorno imediato ainda é um fator, dentre outros, a ser trabalhada nas empresas. Não se pode esperar que o RELACIONAMENTO nestas mídias ou rede sociais dêem resultados imediatos.
É um achismo da minha parte também, mas talvez ainda seja esta expectativa que faça com que o “profissional” dê um empurrãozinho nos resultados e na participação nestes espaços.
Entretanto o que me fascina nesta nova fase é o fato de tentarmos encontrar respostas juntos, muitas vezes com os próprios concorrentes.
Parabéns pelo post. Grande bjo!
Andre Sampaio
setembro 26th, 2008 as 4:10 pm
Olá Samantha,
Tive acesso ao seu post pela lista Mundo RP e foi com satisfação que li este artigo, que é muito pontual sobre o panorama das redes e mídias sociais, bem como do trabalho estratégico das RP. Compartilho da opinião da Carol Terra quando ela fala que este seu post é um verdadeiro guia da área. Com sua permissão gostaria de divulgá-lo no meu blog pessoal.
Um abraço,
Ricardo Campos